Ser mulher é Ser

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Todos os anos, por esta altura, sou desafiada a falar sobre o que é ser Mulher. Ora, nos tempos que correm, em que o feminismo se descolorou numa moda populista e sem grande conhecimento do conceito e da história deste movimento, fico sempre nervosa e sem saber como desenvolver o assunto sem mergulhar numa onda de denúncia dos atentados que se descobrem diariamente um pouco por todo o lado, tornando o texto em algo muito diferente do que, quem o pediu, à partida, quereria ver.

Assim, aligeirando o tema, e afunilando a coisa para não ser mais aborrecida,  e mesmo assim tentar fugir á parvoíve e ao hashtag e mais não sei o quê, digo que, supostamente, ser Mulher deverá ser um acaso genético. Ser uma grande Mulher, será dificil e controverso e cansativo, muitas vezes impossível, e quase sempre muito pouco popular para a sua época.

Tentar ser uma grande mulher no nosso tempo e antes de tudo será ler tudo o que a Virginia Wolf escreveu, conhecer a história da Joana d’Arc mas a da Esther a rainha hebraica também, será amar a Billie holiday e a Marie Curie com uma admiração semelhante, aproveitar cada oportunidade de exposição em público para plantar uma semente de mudança, será nunca ter feito uma selfie sem pelo menos, uma grama de ironia, conhecer a vida e obra da Nina Simone e da Janis Joplin e não fazer julgamentos pseudo-feministas da sua vida e obra, saber quem é a Miquelina Sardinha e entender a importância de uma Sophia de Mello Breyner, da Vieira da Silva, e sim bolas da Cândida Branca Flor e da Beatriz Costa. Será  perceber que a luta não está ganha, e só depois disso e de tanto tanto mais, vestir um bruto vestido vermelho mandar uma acapella desafinada de uma música da Adele e gritar aos quatro ventos que, apesar das dores menstruais, ser mulher é uma sorte do caraças.

 

Filomena

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