O Ecorkhotel visto pelo Guilherme Fonseca

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Há algo de incrivelmente mimalho nos hotéis. Não nos hotéis em si, mas nas pessoas que lá dormem. Todas as pequenas coisas que fazem parte das nossas obrigações diárias desaparecem num hotel. Fazer a cama, arrumar os lençóis, lavar a roupa suja, estender a roupa, trocar as toalhas, etc. Reparem que a maneira como se pede para nos trocarem a toalha de banho não é dobrando ou pousando em algum lado. Não. É atirando para o chão, como se estivéssemos a fazer birra. “Troca isto! Já!”. Em hotéis tornamo-nos pequenas divas que se acham merecedoras da atenção de tudo e de todos. E a culpa é dos hotéis, que cumprem esse papel de mães galinha na perfeição. Olhem para o pequeno almoço de um hotel, por exemplo. Nada diz mais “não me interessa perder rios de dinheiro em pedaços de bacon grelhados que vão para o lixo, o que interessa é que tenhas aquilo quilos de comida para comer ao pequeno almoço e depois voltar para a cama e dormir até às 14h da tarde”.

O que tem isto tudo a ver com o EcorkHotel? O EcorkHotel é perfeito para quem tem uma adolescente de 16 anos cá dentro, que quer fazer o que lhe apetece e ter quem arrume a seguir. Somos recebidos com champanhe, os quartos têm o ar condicionado na temperatura perfeita, a piscina é daquelas em “infinito” que não tem fim pelo Alentejo dentro e tudo isto está localizado a pouquíssimos quilómetros de Évora. É a combinação perfeita para ficarmos tão relaxados que até as coisas mais simples, como lavar os dentes ou pentear o cabelo, parecem tarefas hercúleas, que dão demasiado trabalho a fazer. Uma pessoa não se desleixa, saboreia-se.

Se precisa de se armar em ditador do médio oriente, não vai encontrar melhor sítio para fazê-lo no nosso Alentejo. O EcorkHotel é a massagem no ego que todos nós precisamos. Proponho-lhes, além do papelinho da porta a dizer “Por favor, não incomodar” um novo, só deles, que diga “Por favor, tratar-me como se eu fosse o Papa”.

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